sábado, 25 de abril de 2009

Entendendo o Rio


By Paulo Coelho

“Um rio nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar” diz um filósofo.

“A vida é como um rio”, diz outro filósofo, e chegamos à conclusão

que esta é a metáfora mais próxima do significado da vida. Por conseqüência,

é sempre bom lembrar durante todo o tempo:

  • Sempre estamos diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente

  • (o nascimento) e o nosso destino (morte), as paisagens serão sempre novas.

  • Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo

  • – porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais.

  • Em um vale, andamos mais devagar. Quando tudo à nossa volta fica mais fácil,

  • as águas se acalmam, nos tornamos mais amplos, mais largos, mais generosos.

  • Nossas margens sempre são férteis. A vegetação só nasce onde existe água.

  • Quem entra em contato conosco, precisa entender que estamos ali para dar de beber a quem tem sede.

  • As pedras precisam ser contornadas. Evidente que a água é mais forte que o granito,

  • mas para isso é preciso tempo. Não adianta deixar-se

  • dominar por obstáculos mais fortes, ou tentar bater-se contra eles; gastaremos energia à toa.

  • O melhor é entender por onde se encontra a saída, e seguir adiante.

  • As depressões necessitam paciência. De repente o rio entra em uma espécie de buraco, e para de correr com a alegria de antes. Nestes momentos, a única maneira de sair é contar com a ajuda do tempo. Quando chegar o momento certo, a depressão se enche, e a água pode seguir adiante. No lugar do buraco feio e sem vida, agora existe um lago que outros podem contemplar com alegria.

  • Somos únicos. Nascemos em um lugar que estava destinado para nós,

  • que nos manterá sempre alimentados de água o suficiente para que,

  • diante de obstáculos ou depressões, possamos ter a paciência ou a força necessária para seguir adiante.

  • Começamos nosso curso de maneira suave, frágil, onde até mesmo uma

  • simples folha para nosso curso. Entretanto, como respeitamos o mistério da fonte que nos gerou,

  • e confiamos em sua Eterna sabedoria, aos poucos vamos

  • ganhando tudo que nos é necessário para percorrer nosso caminho.

  • Embora sejamos únicos, em breve seremos muitos. À medida que caminhamos,

  • as águas de outras nascentes se aproximam, porque aquele é o melhor caminho a seguir.

  • Então já não somos apenas um, mas muitos – e há um momento

  • em que nos sentimos perdidos. Entretanto, como diz a Bíblia,

  • “todos os rios correm para o mar”. É impossível permanecer em nossa solidão,

  • por mais romântica que ela possa parecer. Quando aceitamos o

  • inevitável encontro com outras nascentes, terminamos por entender

  • que isso nos faz muito mais fortes, contornamos os obstáculos ou

  • preenchemos as depressões em muito menos tempo, e com muito mais facilidade.

  • Somos um meio de transporte. De folhas, de barcos, de ideias.

  • Que nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar

  • adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem de nossa ajuda.

  • Somos uma fonte de inspiração. E portanto, deixemos para um poeta brasileiro,

  • Manuel Bandeira, as palavras finais:

“Ser como um rio que flui
Silencioso no meio da noite
Não temer as trevas da noite
Se há estrelas no céu, refleti-las.

E se o céu se enche de nuvens
Como o rio, as nuvens são água;

Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades traqüilas.”

Como o rio, as nuvens são água;
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”

 

HELLOKI5

Gostei bastante dessa mensagem, espero que todas as minhas amigas tenham um bom fim de semana… Beijos!

rr

Um comentário:

Ita disse...

Oi Rebeca!
Que mundo maravilhoso esse da net.
Lembra-se de mim? sou Silda Mendes sua conterrania de Fortaleza e amiga de outros grupo.
Adoreiiiiiiii sua pagina.
Filicidades amiga.
Beijos Carinhosos